Nome original: IslandAutor: Aldous HuxleyGênero: Ficção (?)Ano: 1963
Primeiramente, adianto que esse livro não tem nada a ver com o filme "A Ilha" que muitos já devem ter assistido.
O nome da ilha ficcional é Pala e situa-se em algum lugar do oceano Atlântico que eu não me lembro. O personagem principal é John Farnaby, que "por acidente" naufraga na ilha e assim passa a conhecer seus habitantes e sua cultura. Aldous Huxley constrói a ilha, em seu ponto de vista, nos moldes de uma sociedade utopicamente perfeita. Atacando os problemas de nosso mundo ocidental, ele faz com que os habitantes de Pala ajam de modo oposto, criando uma ilha livre das podridões as quais somos submetidos aqui.
Dentre os pontos criticados, os principais são: a religião, o Estado e o capitalismo. Pra mim, essas são as raízes de nossos problemas, pois nossas idéias, ética e moral atuais provêm deles. O escritor britânico tem total credibilidade para fazer tais julgamentos porque como observamos pelos seus outros livros, ele possui conhecimento em quase todas as áreas de estudo: biologia, sociologia, filosofia, política e religião. Apesar disso, muitas de suas idéias aqui parecem óbvias e nos dá a impressão que sua única ação inédita foi tê-las colocado num romance. Por esse motivo, ele não me surpreendeu tanto quanto o brilhante "Admirável Mundo Novo" que traz idéias pessimistas e originais de Aldous sobre o futuro da humanidade.

O livro quase não possui uma trama ficcional. Ela é simplesmente uma desculpa para as longas conversas entre os personagens que descrevem a ilha para o forasteiro e assim, sendo toda a história formada de diálogos entre Farnaby e os palenses, o livro é uma mera descrição de como funcionado a ilha perfeita. O conteúdo do livro lembrou-me um livro didático de sociologia, ou de alguma área que eu citei acima e esse é um dos motivos que ele se torna parado às vezes.
Algumas teorias de Aldous são simples e até óbvias, porém, há certos pontos bem complicados de se entender por exigiram conhecimento de várias áreas. Um exemplo são as partes em que os personagens discutem religião, que são um pouco confusas pela presença de elementos da cultura oriental e essa é exatamente a parte mais discursada na trama. Na verdade, há no livro muitas partes difíceis de entender completamente pelo mesmo motivo: diversidade de elementos incorporados.
Segundo o autor, a alta taxa de natalidade, a frustração sexual da população e a máquina capitalista são algumas variáveis da equação que resulta na nossa sociedade doente e essa última é o maior temor dos moradores da ilha que fazem de tudo para se manterem isolados da selva onde todos buscam dinheiro. Lá, além de a espiritualidade estar acima de tudo e agirem de maneiras bem diferentes, sua economia é quase subsistente.
Suas críticas aos nossos vícios e futilidades são tão ásperas que, junto com as outras várias, ele nos faz sentir vivendo num mundo totalmente perdido. Seu ataque ao cristianismo e à sua doutrina contraditória, simplista e tola, no mínimo o condenaria à fogueira se vivesse Idade Média.
Pala oferece a solução para todos os problemas da humanidade: alimento para os famintos, paz para os desorientados, conhecimento para os ignorantes, liberdade sexual, respeito e igualdade a todos, espiritualidade aos desequilibrados, etc. Os argumentos que seu criador demonstra no livro nos fazem perceber como nossa sociedade está doente e que isso é fruto do passado, da moral e de tudo criado pelos homens, e não uma condição que surgiu naturalmente. Leia "A Ilha" e sinta Pala jogando na sua cara nossa decadente situação. Nós criamos os sistemas e sofremos com eles. Admiráveis seres humanos...