sábado, 20 de junho de 2009

Ensaio sobre a cegueira

     
Nome original: Blindness
Direção: Fernando Meirelles
Elenco: Julianne Moore, Mark Ruffalo, Alice Braga, Danny Glover,
Gênero: Drama
Ano: 2008


Revendo o filme hoje, resolvi escrever outro comentário.




     O filme mais incrível de 2008.
      Baseado no livro de José Saramago, o filme narra a história de uma onda de "cegueira branca" que atinge a população sem motivos aparentes e é contagiosa. Começa com um homem no trânsito e rapidamente se alastra por todos os lugares. Os primeiros infectados são levados para um prédio e colocados em quarentena e é nesse grupo que se encontra a personagem de Julianne Moore (nome desconhecido, assim como de todos os outros personagens e do país em que a trama se passa), a única que consegue enxergar. Lá dentro, forma-se uma minissociedade onde os instintos humanos se afloram, destruindo todos seus princípios e causando caos total.

      Buzinas, carros, semáforos, pessoas, prédios. Nesse cenário a primeira pessoa adquire a cegueira branca. Quem assiste a esse filme com olhos de espectador de um filme de ficção-científica perde muita coisa e provavelmente frustra-se. Nunca vi em um filme tamanha diversidade de mensagens e metáforas e por essa razão você deve compreendê-lo somente com a subjetividade. “Blindness” é um ensaio sobre a condição humana e da sociedade em que vivemos. Caos.

     Nos tornamos seres que vivem de hipocrisia e aparências. O que nos forçaria a olhar para nossa verdadeira essência? Uma cegueira que acabaria com nossa moral e nos obrigasse a vislumbrar nosso interior e o interior das outras pessoas. No início da história, quando o grupo ainda está no prédio isolado, vemos na tela somente imundície, mas quando eles estão livres, num mundo onde toda a população está cega, vemos como aquelas sim eram verdadeiras pessoas. A trama também fala de papéis e de como estamos presos em rótulos, e isso é mais um ponto que piora nossa condição de seres que não sabem quem realmente são. Com nosso egoísmo, temos a impressão de sermos totalmente independentes dos outros e que podemos tudo, que somos heróis que podem cuidar de tudo. Cada cena aborda questões diferentes e é preciso assistir mais de uma vez para sentir todos os tapas na cara que a história nos dá.
     Fernando Meirelles usou de alto brilho nas imagens para passar a sensação de não enxergar nada a não ser um “mar de leite” e achei bem interessante. A trilha-sonora, entretanto, foi um pouco repetitiva, com sons do grupo mineiro Uakiti que faz música com instrumentos inusitados, como canos de PVC.
     ”Ensaio sobre a cegueira” fornece material para horas e horas de discussões sobre psicologia, sociologia, filosofia ou de qualquer área. Isso depende de seu ponto-de-vista. Ainda não li o livro para dizer o que faltou ou que ficou ruim, mas para o cinema, é extremamente formidável. No final, guarde a mensagem da única não-cega da história: nós somos cegos, não eles.


Conceito: Excelente

4 comentários:

Rendson Campos disse...

Achei esse filme muito interessante, vou procurar ele em alguma videolocadora aqui.

Oh, tem um selo pra ti no Internet Ativa, vê lá, abraço!

devorandolivros disse...

Cara, eu amo esse filme. O livro também é muito bom. Na verdade, é uma das poucas adaptações para cinema que ficaram tão boas quanto o livro que a inspirou.

Ah, meu blog anda mesmo abandonado... O semestre da faculdade começou, e ficou complicado conciliar o trabalho de manhã e a faculdade a noite, o que não tem me permitido ler muito além de livros ligados ao curso. Acho que só li dois ou três livros de lá para cá, mas pretendo voltar com o blog assim que eu tiver mais tempo e disposição...

Estêvão dos Anjos disse...

Tem cenas no prédio em que eles ficam isolados que são verdadeiras pinturas naturalistas, tem uma passagem em que uma gorda está de bruços toda melada de fezes, se não me engano. Mas mesmo com toda a grandiosidade do filme, o livro é bem superior.

Estêvão dos Anjos disse...

Tem cenas no prédio em que eles ficam isolados que são verdadeiras pinturas naturalistas, tem uma passagem em que uma gorda está de bruços toda melada de fezes, se não me engano. Mas mesmo com toda a grandiosidade do filme, o livro é bem superior.