domingo, 20 de setembro de 2009

Quarentena

     
Nome original: Quarantine
Direção: John Erick Dowdle
Elenco: Angela Vidal, Steve Harris, Johnathon Schaech
Gênero: Suspense/Terror
Ano: 2008


     Versão americana do terror espanhol “REC” é um dos melhores do gênero que vi ultimamente.
     Bem, dizer que é um dos melhores terrores que vi ultimamente é fácil porque esse é um dos gêneros que reluto em assistir por causa de péssimas experiências. Mesmo assim, tenho certeza que isso não tira o mérito do filme que agrada também os viciados em adrenalina.
     O filme é filmado em primeira pessoa como em “A bruxa de Blair” e “Cloverfield”, outros dois nomes que estão na minha lista de suspenses favoritos. Angela Vidal é uma repórter que junto com seu câmera estão cobrindo o cotidiano de um corpo de bombeiros. Justamente na noite em que faziam a matéria, surge um chamado de um prédio onde moradores disseram ter ouvido gritos de um apartamento onde uma velhinha vivia. Quando descobrem que a tal velha estava com um tipo de raiva que a transformou num zumbi comedor de gente, já era tarde demais: tinham sido isolados dentro do prédio para a doença não se espalhar. É nessa quarentena que tudo ocorre.
     No início achei a atuação de Jennifer Carpenter (a repórter) fraca, porém, a cada cena, quando seu pânico vai aumentando, ela consegue passar a perturbação e histeria de estar preso com aberrações carnívoras com muita competência, principalmente nas últimas cenas.

     A uso da filmagem em primeira pessoa mostrou-se novamente muito poderosa e ela foi o principal motivo da qualidade do longa. Não ser transportado para o filme é impossível. As cenas finais, quando a iluminação da câmera acaba e são obrigados a usar a visão noturna, fazem qualquer um subir pelas paredes. Quase tanto quanto naquela cena em “O Silêncio dos Inocentes”.
     “Quarentena” tem o que quase todo suspense americano tem: o fortão que protege a mocinha, a matança progressiva dos personagens e o uso de efeitos especiais para mostrar sangue e carne. Mesmo assim não deixa de ser bom. Vamos ver agora se os espanhóis são ainda mais assustadores.


     
Conceito: Muito Bom

Foi apenas um Sonho

     
Nome original: Revolutionary Road
Direção: Sam Mendes
Elenco: Kate Winslet, Leonardo DiCaprio, Kathy Bates
Gênero: Drama
Ano: 2008




     O melhor filme que assisti esse ano.
     O reencontro do casal do Titanic não tinha como ser melhor. Kate Winslet e Leonardo DiCaprio encenam nesse filme de Sam Mendes (“Beleza Americana”) um casal que participa de discussões épicas, como em “Quem tem medo de Virginia Woolf?”. April e Frank Weeler vão mudar seu modo de ver a vida em sociedade.
     Ela, uma dona de casa com a carreira de atriz frustrada. Ele, um funcionário de uma empresa que odeia seu emprego, adúltero e insatisfeito com o que sua vida se tornou. Qual a diferença entre os dois? Ela vê uma saída, ele acha que aquela vida é normal. O plano dela: largar tudo e se mudar para Paris, onde ela iria sustentá-lo e onde ambos acreditam que seja o único lugar em que podem ser felizes. Ela é a revolucionária que viu o buraco e a falta de esperança e tenta fugir dele. Ele, uma vítima da sociedade que prefere não enxergá-lo e ir levando a vida.

     Sam Mendes critica explicitamente o modo de vida americano, que mesmo sendo americano, não deixa de ser o mesmo que a maioria da população mundial sustenta. Um estilo de viver que tem como uma das piores conseqüências a artificialidade das relações. As pessoas deixam de ser quem são, para serem o que possuem. Apesar da história se passar na década de 50, é perfeitamente aplicável à atualidade. Na verdade, acho que é ainda mais aplicável atualmente do que antes. Pessoas sacrificam a vida trabalhando, trabalhando e se esquecem de suas vontades. Ou melhor, há uma vontade que nunca esquecemos: a de consumir. Esse é o desejo que nos move quase na vida toda. Assim, cada vez vamos nos afastando mais um dos outros, deturpando a noção de respeito, afeição e individualidade. A representação do mundo pode ser uma linha de montagem de uma fábrica, onde nós somos as mercadorias. Somos programados para termos metas e seguirmos regras impostas e se não fizermos isso, perdemos o valor nesse emaranhado de pessoas. A vida pode ser mais do que isso, pois quem criou esse sistema foi nós mesmos. É nisso que April acredita e espero que esteja certa.

     Todas as cenas desse filme são inesquecíveis e perfeitas e todos os diálogos são inteligentes. Leonardo DiCaprio e Kate Winslet foram brilhantes. As melhores atuações que vejo há muito tempo. Winslet foi mais ainda mais talentosa aqui do que em “O Leitor”. A trilha sonora, como em “Beleza Americana”, fica na memória por muito tempo e fornece ainda mais emoção para uma das cenas mais magníficas que já vi, na qual há somente April e uma janela. Quem viu sabe do que estou falando.
     É impossível descrevê-lo em um texto, pois ele suporta discussões de horas e horas de duração. Simplesmente assista-o. Não o interpretando como um drama sobre brigas de casal, mas sim como um ensaio da situação dos homens em sociedade. Ou você vai se surpreender muito ou vai odiá-lo totalmente.


     
Conceito: Excelente

sábado, 5 de setembro de 2009

Vicky Cristina Barcelona

     
Nome original: Vicky Cristina Barcelona
Direção:Woody Allen
Elenco: Javier Bardem, Scarlett Johansson, Rebecca Hall, Penélope Cruz
Gênero: Romance
Ano: 2008
     


     Mais novo filme de Woody Allen traz grande elenco, porém não é tão brilhante como esperava.
     Nessa obra com o estilo clássico do diretor, as personagens principais são Vicky e Cristina, duas amigas que vão à Espanha passar suas férias de verão. Lá conhecem o artista-galã Juan Gonzalo (interpretado por Javier Bardem). De início, somente Vicky mergulha num romance com o espanhol, mas vários rodízios de relações acontecem durante toda a história.
     Na primeira cena já me decepcionei com uma ferramenta usada no roteiro: a narração. Não só era feita por um narrador que não faz parte da história como está presente e toda a trama. Woody Allen que preza tanto a personalidade de seus personagens escolheu nessa película apresentá-los através de longas descrições do narrador ao invés de fazê-lo pelas imagens. Nas primeiras cenas escutamos do narrador que Vicky é uma estudante de mestrado sensata e que respeita os relacionamentos sérios. Cristina é a mente aberta que busca algum modo de se expressar, quebrar os valores morais e encontrar um amor que vire sua cabeça. Infelizmente, essas características só foram totalmente visíveis nessa parte. Talvez acharam que somente a narração era o bastante para construir um personagem denso e real. Se não fosse o envolvimento, por exemplo, de Cristina num romance bígamo e bissexual (que mais parece saído de um filme de Almodóvar), não a veria como uma mulher tão audaciosa como a narração apresentou.
     O boêmio Juan é o que está envolvido em todas as reviravoltas da história, mas Bardem (assim como todos os atores) teve a cena roubada por Penélope Cruz que interpreta sua ex-esposa difícil de se lidar e extremamente mente aberta, salve os dois eufemismos. A agradável trilha-sonora espanhola e algumas cenas divertidas também somam alguns pontos positivos à trama.
     Vicky Cristina Barcelona é um filme sobre escolhas que fazemos, sonhos que alimentamos, e principalmente, sobre a busca pelo amor e pelo o que ele significa. Um romance talvez seja um dos gêneros mais complicados de se trabalhar, pois a história precisa trazer algo de surpreendente para não cair na mesmice cansar o espectador. A trama de Woody Allen até trouxe situações novas, mas nada que fique em sua memória por muito tempo.



     
Conceito: Regular

segunda-feira, 27 de julho de 2009

O homem-elefante

     
Nome original: The elephant man
Direção: David Lynch
Elenco: Anthony Hopkins, John Hurt,Anne Bancroft
Gênero: Drama
Ano:1980


      Filme baseado em fatos reais conta a história de John Merrick, portador de uma doença que faz com que 90% de seu corpo seja deformado, e por essa razão é exibido num circo como uma aberração. Anthony Hopkins interpreta o médico que leva John para o hospital para estudar seu caso.
     Mesmo sendo um filme já da década de 80, é em preto-e-branco e esse toque deu um toque sombrio ao filme, que remete bem ao sofrimento e humilhação que o personagem passa durante a trama. Tudo no filme é bem feito (principalmente a maquiagem) e nenhuma cena é descartável, pois todas conseguem prender a atenção.

     Esse clássico emociona do início ao fim. Dá várias lições e coloca o espectador numa situação difícil: como deixar de sentir um desconforto enquanto visualisa John e sua horrenda aparência? Esse é o ponto do filme: a busca de John pela dignidade e aceitação das pessoas que só gritavam quando o via. Até então, no início, nós e todos os personagens pensavam que além da deformidade física, ele tinha algum retardo mental. Porém, com a ajuda da equipe do hospital, ele se mostra como uma pessoa normal e inteligente e é a partir daí que começamos a vê-lo com outros olhos. Infelizmente, a repulsa mesmo assim é inevitável e essa obra usa disso como uma prova de como somos desacostumados ao diferente. Dilacerador.


Conceito: Muito bom

Pagando bem, que mal tem?

     
Nome original: Zack and Miri Make a Porno
Direção: Kevin Smith
Elenco: Elizabeth Banks,Seth Rogen
Gênero: Comédia
Ano: 2009


Muito imbecil. Se você gosta de comédias sexuais do tipo American Pie elevado ao cubo, talvez esse te agrade. Do contrário, alugue um pornô. Como nem acabei de assisti-lo, nem vou me dar ao trabalho de comentar mais.



     
Conceito: Péssimo

sábado, 18 de julho de 2009

Dúvida

     
Nome original: Doubt
Direção: John Patrick Shanley
Elenco: Meryl Streep, Philip Seymour Hoffman,Amy Adams
Gênero: Drama
Ano: 2009


     Protagonizado pela mestra Meryl Streep, esse é um dos filmes mais inteligentes que já assisti. Juntamente com O Leitor, Dúvida é o melhor filme do Oscar 2009. Enquanto o primeiro afeta mais seu lado emocional, o segundo afeta seu lado racional.
     Irmã Aloyisius é uma freira que dirige uma escola católica com mãos-de-ferro quando começa a desconfiar que um pároco está tendo uma "relação imprópria" com um dos alunos e assim faz de tudo para provar que sua impressão está certa. Atuações fantásticas compõem essa obra de arte, principalmente dos três principais: Streep, Philip Seymour Hoffman e Amy Adams. Cenas e diálogos longos passam toda a responsabilidade para os atores que com muita competência nos involvem nas conversas, como se estivéssemos participando delas.
     É fácil comparar o conflito desse filme com a história do livro Dom Casmurro, de Machado de Assis. Ambos possuem um personagem com uma séria desconfiança sobre outro indivíduo e nos dois casos são fornecidos fracas provas que confirmam a suspeita e no final, não temos uma resposta concreta. Ainda, as duas obras nos obrigam a escolher um lado. Assim fica a pergunta: padre Flynn abusou ou não de Donald Miller?

     No meu ponto de vista, Dúvida traz muito mais do que um quebra-cabeça onde há fatos que devem ser usados ou no lado de Irmã Aloyisius ou no lado do padre Flynn, que afirma sempre que sua relação com o garoto é só uma amizade. Acredito que a chave de toda a trama é a personagem da Irmã, que move toda a campanha contra o pároco. Suas suspeitas já começam com fatos longe de serem provas e isso mostra que algo a impeliu a implicar com o padre, mas qual seria? Como uma rígida e conservadora freira, acredito que ela seja a personificação de toda a filosofia de uma das maiores instituições do mundo ocidental: a Igreja Católica. Todos os atos de Irmã Aloyisius convém com o que sua religião prega e portanto, o fato de ela alimentar essa forte desconfiança sobre Flynn também provém dessa fé inabalável. A cena que me fez chegar à essa opinião é aquela em que ela diz: "Eu não tenho compaixão pelo senhor. (...) Sei que você não se arrependeu". Já tendo admitido que ela mesma havia cometido sérios pecados em sua vida, ela afirma que ela tinha se arrependido. Está aí uma das maiores características do cristianismo: culpar a humanidade por aquilo que chamam de "pecado" e fornecer como única escapatória seu arrependimento. A fato de Aloyisius não ter necessitado nenhuma prova antes de apontar o dedo para Flynn e tê-lo obrigado a admitir sua culpa mostra como as regras da Igreja afirmam que todos nós merecemos ser eternos mártires. Não importa o motivo. Do outro lado, temos o pároco com sua filosofia religiosa totalmente oposta, onde a escola precisava se freiras e padres mais amigáveis com os estudantes e que ofereçam a eles mais compaixão e tolerância. Esse é outro ponto que impulsiona a Irmã a tentar de qualquer modo que o padre seja culpado para que assim ele desaparecesse da escola onde ela é diretora, e dessa maneira continuar com seus meios de julgar e punir. No meio dessa luta, há a Irmã James, que acaba ficando desorientada, sem saber se acredita na culpa de Flynn ou não. De um lado é ela chamada de ingênua, e de outro, de bondosa. Munida com uma suposta crença absoluta de que ele era um pedófilo, Aloyisius faz de tudo para obter sua confissão. porém, no final ela percebe que talvez tudo não tenha passado de uma auto-enganação, movida pela sua cega crença em toda em sua moral de julgar as pessoas, provinda da moral cristã. Concluindo, em minha opinião, a história mostra como a religião obriga as pessoas a terem fé em suas regras e se comportarem do modo que ela permite, e com isso, passam a ter a impressão que sua fé é absoluta. Porém, o que todos temos, lá no fundo, são...DÚVIDAS.


Conceito: Excelente

terça-feira, 14 de julho de 2009

Austrália

     
Nome original: Australia
Direção: Baz Luhrmann
Elenco: Nicole Kidman, Hugh Jackman
Gênero: Drama
Ano: 2009


     Filme com Nicole Kidman é o que podemos chamar de "bobinho".
     Sarah Ashley é uma aristocrata inglesa que se muda para a Austrália onde seu marido toma conta de uma fazenda de gado. Chegando lá, a responsabilidade da fazenda cai em suas mãos e ela enfrenta vários desafios como a vaguejada através do sertão, a Segunda Guerra Mundial, os aborígenes e seu romance com Drover, seu ajudante.
     Algumas partes do filme são narradas pelo personagem Nullah, um garoto aborígene que Sarah começa a cuidar depois que sua mãe morre. O clima de misticismo que colocaram em torno do garoto não combinou com o resto da história e a tornou ainda mais infantil. Quem não se cansou do menino dizendo a todo o momento : "Eu vou cantar para você me achar". Nos primeiros minutos da película, tudo, a não ser a atuação de Kidman e Hugh Jackman, é superficial. Como muitos filmes, optaram por carregar a história de humor bobo e com isso, a trama, que eu esperava ser mais densa, se tornou uma versão mamão-com-açúcar de Cold Mountain, onde também havia Nicole Kidman, uma fazenda e um amante distante, porém esse sim possui uma história envolvente. A única cena no início que merece comentário é aquela em que o canguru leva um tiro na frente de Sarah.

     O primeiro obstáculo que Sarah encontra, juntamente com seu futuro amado vaqueiro, é levar as 1.500 cabeças de gado até o cais para serem vendidos ao Exército e assim salvar a fazenda. Entretanto, o país vivia sobre um monopólio de carne comandado pela fazendo dos Carney que usam de tudo para impedir que cheguem ao seu destino. A partir dessa parte o filme se torna mais adulto, trazendo uma das melhores cenas que foi aquela da corrida para impedir que o gado caísse no penhasco. É mais ou menos nessa parte do filme que começa o relacionamente de Ashley e Drover e até nisso o roteiro foi falho. Para quem esperava que Austrália fosse um bom romance, ele decepcionou bastante. Ao contrário de Cold Mountain, onde o amor é tratado com bastante intensidade, aqui os dois mais pareciam um casalsinho vivendo uma paixãozinha de verão, e que ainda assim fica explícita em pouquíssimas cenas. Portanto, o filme de Baz Luhrmann não é um romance e nem um drama digno, pois em ambos os gêneros, poderia ser taxado de "superficial". Realmente não me dou bem com esse diretor, que também dirigiu Moulin Rouge (pff...).

     Após a parte da vaguejada, começa a parte da guerra. Drover se alista no exército e Sarah fica sozinha com o garoto "mágico" Nullah que mais tarde seria levado à força pela Igreja. Nesse interim, há o ataque dos japoneses na parte norte da Austrália, que rende a segunda melhor cena do filme pela qualidade técnica. Para finalizar, temos um desfecho totalmente clichê.
     Austrália é uma mistura de humor, romance, drama, misticismo aborígene, ganância, preconceito e tudo que possa ter acontecido naquela ilha. Uma miscelânea de temas tratados com infantilidade. Sinceramente não me emocionei com nada. Não fosse pelas atuações dos protagonistas e a boa qualide técnica (produção de US$120 milhões), seria um fracasso total.


Conceito: Regular